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FMI: Brasil será a nona maior economia global neste ano

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A combinação de câmbio mais favorável e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais forte do que se esperava vai levar o Brasil a voltar a ser já neste ano a nona maior economia do mundo, segundo nova projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil foi a 11ª maior economia global no ano passado e a previsão do FMI em abril era que o país ganharia uma posição neste ano e chegaria ao nono lugar no ano que vem – a última vez que o PIB brasileiro ficou nessa posição foi em 2019, antes da pandemia.

Pela previsão atual, o PIB brasileiro somará US$ 2,127 trilhões neste ano, US$ 9 bilhões a mais que o Canadá, que cairia para o décimo lugar. Em oitavo lugar, não muito distante está a Itália, com US$ 2,186 trilhões. O sétimo lugar é da França (US$ 3,049 trilhões).

A antecipação do cenário, divulgado na semana passada, se deve em grande parte às novas projeções para o crescimento do PIB. O Fundo estima agora que a economia brasileira vai crescer 3,1%, ante previsão em abril de alta 0,9%. Essa diferença de 2,2 pontos percentuais foi a quinta maior registrada entre os 191 locais que o FMI fez projeções neste ano, só atrás de economias muito menores que a brasileira: Macau, Samoa, Ucrânia e Geórgia.

“No Brasil, o crescimento tem sido mais resiliente do que o esperado em 2023”, apontou relatório do FMI da semana passada.

A surpresa grande com o crescimento do PIB do Brasil se dá por uma série de razões, disse na sexta-feira (13) Rodrigo Valdés, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo. Ele citou na ocasião a força da agricultura, os efeitos de reformas ao longo do tempo e perspectivas macroeconômicas melhores. O FMI projeta que o crescimento do PIB brasileiro vai desacelerar para 1,5% em 2024 – cenário similar ao do boletim Focus, consulta semanal do Banco Central com instituições financeiras e consultorias.

A outra parte importante da equação que deve permitir que o Brasil passe o Canadá já neste ano como a nona maior economia global é o câmbio. No cenário de abril, o Fundo projetava que o dólar médio ficaria em R$ 5,13 e, em outubro, essa cotação passou para R$ 4,99. Como a conta envolve o valor do PIB corrente brasileiro transformado em dólar, quanto mais valorizada a moeda brasileira, maior é o valor em dólar do PIB.

Para ter uma ideia da importância do câmbio, se a previsão do dólar médio para o Brasil seguisse em R$ 5,13, o PIB em valores correntes seria US$ 47 bilhões menor, o que levaria o país de volta ao décimo lugar.

Apesar do cenário externo turbulento (com dúvidas sobre o rumo dos juros nos EUA e a continuidade da invasão da Ucrânia pela Rússia), o dólar caiu 3,6% no ano em relação ao real. Fatores como o avanço da reforma tributária no Congresso, a aprovação do arcabouço fiscal e o crescimento mais forte da economia do que se esperava ajudaram na valorização do real, especialmente até agosto, quando o dólar chegou a estar cotado a R$ 4,80, ante R$ 5,45 no início do ano. Na sexta-feira (13), a moeda estava cotada a R$ 5,09.

A tensão no Oriente Médio desde os ataques do Hamas a Israel é um dos fatores que podem ter impacto no câmbio, na inflação e no crescimento econômico global nos próximos meses.

Questionado sobre eventuais impactos da guerra entre Israel e Hamas para o Brasil, Valdés, do FMI, afirmou que o conflito é uma “nuvem escura para o futuro” da economia mundial como um todo, mas também que é “muito cedo para conclusões muito significativas”.

Valdés reconheceu que alguns países da região podem se beneficiar de preços do petróleo, por exemplo, maiores, mas a maioria sofreria com isso.

No cenário atual do Fundo, o Brasil cairá para décima economia do mundo em 2025 e subirá para o oitavo lugar no ano seguinte, posição que seguirá até pelo menos 2028, que é o horizonte das previsões do FMI. A grande novidade desse período é que a Índia, hoje a quinta maior economia do mundo, será a terceira em 2028, ultrapassando Japão e Alemanha.

A última vez que o Brasil teve o sétimo maior PIB do mundo foi em 2014, mas a crise do país no ano seguinte encerrou um período de cinco anos seguidos nessa posição e deu início a um período de perda de espaço da economia local na comparação global, culminando com o 12º lugar de 2021.

Neste ano, o FMI projeta que a economia brasileira representará 2,04% do PIB mundial. Em 2014, essa fatia era de 3,09%.

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